Sindicatos da zona canavieira ameaçam realizar ato público

Presidentes dos Sindicatos dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais da zona canavieira de Alagoas estiveram reunidos, na manhã desta quinta-feira (13), em Maceió, para discutir o posicionamento da categoria quanto ao regime de contrato de trabalho, por tempo determinado, adotado pela usinas do Estado na safra 10/11.

No encontro – que foi coordenado pelo presidente da Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura no Estado de Alagoas (Fetag-AL), Genivaldo Oliveira – foi decidido que a categoria vai solicitar ao Sindaçúcar-AL uma reunião  para quem sejam negociadas as mudanças no contrato.

Caso não seja possível chegar a um acordo até o fim deste mês, a categoria anunciou que fará um ato público em protesto. “O contrato safrista descumpre a convenção igualitária. Nossa intenção é chegar a um consenso, mas se não for possível, realizaremos um ato público para ver se assim conseguimos reverter essa situação”, afirmou Antonio Torres, secretário de Assalariados da Fetag-AL.

“Os trabalhadores querem que estes contratos sejam revistos. O grau de insatisfação dos trabalhadores é muito alto. Com este tipo de contrato por tempo determinado, os trabalhadores passarão seis meses sem ter meios para sustentar suas famílias”, acrescentou o secretário de Comunicação da Federação, Cícero Domingos.

A Fetag-AL informou que das 24 usinas de Alagoas, 18 teriam optado por trocar o modelo de contrato de trabalho por tempo indeterminado – que dá direitos ao trabalhador de receber, seguro desemprego, multa rescisória de 40% e aviso prévio – para o contrato por tempo determinado e onde estes direitos trabalhistas não existem.

“Os dois tipos de contratos são legais e é uma opção da empresa escolher qual deles deseja adotar. Mas existe a questão social. Sem receber os direitos trabalhistas previstos no regime de contrato indeterminado, o trabalhador passará por necessidades na entressafra”, reforçou Domingos, lembrando que na safra, o setor sucroenergético emprega no corte da cana aproximadamente 100 mil trabalhadores no campo.