Projeto Amigo Trabalhador entra na pauta da votação da ALE

A Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Estado de Alagoas (Fetag-AL) informou que está prevista para a próxima terça-feira, dia 09, a votação, na Assembleia Legislativa do Estado de Alagoas, do projeto de lei que cria o programa assistencial “Amigo Trabalhador”.
De autoria do deputado estadual João José Pereira Filho (PSDB), o Amigo Trabalhador prevê o pagamento de uma bolsa no valor de R$ 130 aos trabalhadores rurais canavieiros que são dispensados pelas usinas no período de entressafra da cana.
Criado com base nos programas Chapéu de Palha e Mão Amiga, implementados com sucesso, respectivamente, nos Estados de Pernambuco e Sergipe – o Amigo Trabalhador teria vigência anual de quatro meses.
Nesta primeira fase, seriam disponibilizados pelo cofre público do Estado para a implementação do programa o montante de R$ 10 milhões. Para ter direito a bolsa, o trabalhador participaria de cursos de qualificação profissional e educacional ministrados durante a entressafra.
Insuficiente
Segundo o líder do movimento sindical rural, a volume de recursos disponibilizados pelo Estado para que o Amigo Trabalhador seja colocado em prática, não atende a todos os trabalhadores rurais desempregados no período da entressafra. 
“Nossa meta é que todos os trabalhadores rurais que perderem seus empregos na entressafra da cana sejam atendidos pelo Amigo Trabalhador. O valor disponibilizado pelo Estado só beneficia uma parte deles, ou dez mil trabalhadores”, reforçou Torres, lembrando que, a princípio, o Amigo Trabalhador só atenderia aos trabalhadores canavieiros da região norte de Alagoas.
Região sul
“Se no momento não há uma forma de beneficiar todos os trabalhadores rurais, a Fetag-AL entende que a bolsa deve atender, a princípio, aos canavieiros da região sul do Estado. É lá onde existe um número maior de desempregados durante a entressafra. Dos 24 mil trabalhadores, 18 mil são dispensados quando as usinas param de moer”, alertou Torres.
A grande quantidade de trabalhadores dispensados na região sul aumenta a cada safra por conta da mecanização da colheita da cana. “Os trabalhadores demitidos não tem perspectiva de serem recontratados na próxima safra. Das 56 máquinas usadas na colheita, 80% estão na região sul do Estado por ter muita área plana”, acrescentou Torres.
Segundo levantamento realizado pela Fetag-AL, na região norte do Estado, em média, dos 18 mil trabalhadores contratados no período de moagem, apenas nove mil são dispensados na entressafra. “Mesmo assim, boa parte deles deverá ser contratada de novo no próximo ciclo”, reforçou o secretário de Assalariados.
Outro fator importante constatado pela Federação aponta que na região norte do Estado a grande maioria dos trabalhadores mora em casas fornecidas pelas usinas e não pagam conta de água e nem de energia. “O que não acontece no sul, onde os trabalhadores moram nas periferias das cidades pagando aluguel, água e energia”, declarou o secretário da Fetag-AL.
Necessidades
De acordo com Antonio Torres, por conta da seca, algumas usinas optaram em antecipar o fim da safra em Alagoas, levando ao desemprego dos trabalhadores antes do tempo previsto. “Com isso, muitas famílias já estão passam por necessidade na região sul. A bolsa deve ser vista com urgência pelos deputados no socorro a estes trabalhadores”, finalizou Antonio Torres.