Fetag/AL comemora 50 anos de lutas em defesa do trabalhador rural

Durante o 4º Congresso Estadual dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais, a diretoria da Fetag/AL aproveitou o momento, mais que oportuno, para comemorar os 50 anos de existência da federação. O cinquentenário representa a luta incansável da Fetag/AL na defesa dos direitos dos trabalhadores do campo e na busca por melhores condições de vida e trabalho para a categoria.
A trajetória de lutas começou cedo, especialmente em 10 de dezembro de 1963, quando representantes de doze sindicatos rurais decidiram criar a federação. À frente da então FETRAL – Federação dos Trabalhadores Rurais de Alagoas, o trabalhador rural Manoel Salustiano (primeiro presidente da Fetral), de São José da Laje, assumiu o compromisso de comandar o grupo que iria buscar soluções para os problemas no meio rural.
Os trabalhadores rurais já colhiam os frutos dessa união, firmando junto à Delegacia Regional do Trabalho o primeiro Acordo Coletivo na área da cana-de-açúcar. Apesar da conquista, os companheiros da classe trabalhadora sofreram repressão do golpe militar de 1964, mas não desistiram e conseguiram manter forte sua base, ampliando o número de sindicatos rurais filiados, de 19 para 30.
Após a criação da Fetral, que passou a se chamar Fetag/AL – Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais no Estado de Alagoas, os representantes dos sindicatos rurais conseguiram, gradativamente, levar melhorias sociais para os agricultores. Em 1979, os dirigentes realizaram a primeira Convenção Coletiva de Trabalho, também na área canavieira, e tiveram participação efetiva em programas que contribuíram para a diminuição do analfabetismo na época. O Movimento Brasileiro de Alfabetização – MOBRAL, o Programa Escolar de Bolsa de Estudo – PEBE e o Fundo de Assistência ao Trabalhador Rural – Funrural foram alguns dos projetos que tiveram convênio com a Fetag/AL.
Décadas de 80 e 90
Na década de 80, o movimento sindical teve papel essencial junto à federação, que realizou de forma intensiva a formação política de suas lideranças. O fato reafirmou a autonomia do MSTTR (Movimento Sindical dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais) e possibilitou a formação de sindicatos ainda mais fortes e combativos.
Mas a partir de 1990, os integrantes da Fetag/AL tiveram destaque em amplas discussões na busca por melhorias da categoria. Em 1991, os dirigentes levaram para o 5º Congresso Nacional dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais a necessidade de construir um projeto alternativo de desenvolvimento que orientasse as ações sindicais do MSTTR; um ano depois, criaram a primeira Comissão Provisória de Mulheres Trabalhadoras Rurais; e, em 1995, os trabalhadores rurais conseguiram a aprovação do Projeto Alternativo de Desenvolvimento Sustentável, o PADRS.
Aliada ao movimento sindical, a Fetag Alagoas também realizou um dos grandes momentos de sua história, quando reuniu milhares de trabalhadores no 1º Grito da Terra Alagoas, em 1996. Dirigentes sindicais apresentaram ao governo uma pauta de reivindicações com as principais necessidades de agricultores familiares, trabalhadores sem-terra e assalariados rurais.
Lutas
A Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura ainda conseguiu vitórias importantes, que até hoje mudam a vida de agricultores em Alagoas. O Programa Nacional de Crédito Fundiário (PNCF), que beneficia atualmente mais de três mil famílias no campo, contribui até hoje para a erradicação da pobreza e diminuição do Exodo Rural, através do acesso a políticas públicas de qualidade.
As mulheres que trabalham no campo também passaram a ter vez e voz na busca por melhores condições na lavoura – uma das importantes presenças da classe feminina nessas lutas é a participação na Marcha das Margaridas, que mostra a importância da participação econômica das mulheres na agricultura familiar. E, desde o ano passado, dezenas de agricultores rurais realizaram sonho da casa própria, com o Programa Nacional de Habitação Rural, o PNHR.
Ao longo de 50 anos, diversas outras conquistas foram resultado do trabalho de dirigentes e agricultores que passaram e que hoje estão na Fetag/AL. Atualmente, a federação vem articulando parcerias e aguarda na Assembleia Legislativa a aprovação do projeto de lei que isenta as custas cartoriais para os agricultores familiares, fato que será essencial para a categoria ter fácil acesso à terra e renegociar suas dívidas.
Parabenizada 
Durante a abertura do 4º Congresso dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais, autoridades ligadas ao meio rural parabenizaram a diretoria da Fetag/AL pelos 50 anos de lutas e ressaltaram a importância da entidade pela igualdade de direitos com o homem do campo.
“Não dá para falar da história do campo em Alagoas sem ressaltar o papel importante do movimento sindical, através da Fetag, que durante 50 anos conquistou políticas públicas em favor dos trabalhadores rurais. A Fetag em Alagoas deve pensar no futuro com o mesmo trabalho e a forte atuação que vem apresentando”, disse o presidente da Confederação Nacional da Agricultura (Contag), Alberto Broch.
O presidente da Federação da Agricultura e Pecuária (Faeal), Álvaro Almeida, abriu a solenidade de abertura do congresso e também falou do espaço conquistado pelos agricultores em 50 anos. “Quero parabenizar a Fetag pelo papel importantíssimo que desempenha, especialmente na figura do presidente Genivaldo Oliveira que, com liderança, conseguiu unificar a busca pelos direitos dos agricultores. E, nesses 50 anos, a vitória é do agricultor familiar, que contribui significativamente para a economia do Estado e, graças a eles, nós produtores rurais desempenhamos nossas tarefas”, explicou.