Fetag-AL alerta para o caos no setor sucroenergético

O secretário de Assalariados da Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Estado de Alagoas (Fetag-AL), Cícero Domingos, declarou que a crise financeira que castiga a cultura da cana no Estado afeta tanto os pequenos produtores rurais, quanto os trabalhadores rurais.
“Tem pequenos produtores que plantam a cana para sobreviver e as usinas estão deixando de pagar. Temos casos de agricultores, onde em Alagoas mais de cinco mil plantam abaixo de 500 toneladas de cana, que gastaram para cultivar a lavoura e até hoje não receberam um centavo das usinas. Estão sofrendo na pele, passando por necessidades”, alertou Domingos.
Segundo ele, apesar da situação delicada, há casos de usinas que vêm cumprindo com as obrigações fazendo o pagamento regular aos fornecedores e aos trabalhadores rurais. “Não dá para entender porque outras tantas não conseguem fazer o mesmo. Parece que tem gente tirando proveito da crise. A usina recebe a cana, faz o açúcar e etanol e não paga aos fornecedores. Não conseguimos entender”, ressaltou.
De acordo com Domingos, na área trabalhista há casos de usinas que também estão deixando de cumprir com os compromissos legais. “Não paga em dia, não recolhe o FGTS e não paga as férias. É um problema que ocorre em muitas destas unidades. Nesta audiência mostramos a sociedade o que, realmente, está acontecendo com o setor sucroenergético”, afirmou.
O secretário da Fetag-AL acrescentou ainda que a entidade de classe se prontifica a fazer parte da comissão proposta pelos deputados estaduais para ser criada pela ALE para debater o setor. ”Nós trabalhadores, que já não aguentávamos mais a problemática do desemprego, agora sofremos com o descompromisso das usinas com o movimento sindical” ressaltou ele, afirmando que 60% dos 51 mil trabalhadores empregados durante a safra 14/15 foram demitidos.
“Como as usinas não estão pagando aos fornecedores, eles não estão empregando mais. Com isso, alguns trabalhadores que existiam nas fazendas, também perderam os empregos. Daí, sem emprego, os trabalhadores vêm para as cidades aumento o caos social”, finalizou Domingos.