Alagoanos são flagrados em situação de trabalho degradante em Sergipe

A Federação dos Trabalhadores da Agricultura do Estado de Alagoas (Fetag-AL) participou de uma ação conjunta com órgãos federais e estaduais de Sergipe, no município de Capela, onde foram flagrados trabalhadores rurais alagoanos vivendo e trabalhando em condições degradantes.  
Na ação, a federação alagoana foi representada pelo secretário de Assalariados, Cícero Domingos. A mobilização contou com a presença de dirigentes do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais (STTR) de Capela/AL, além de integrantes da Federação dos Trabalhadores Rurais de Sergipe, Ministério Público do Trabalho, Vigilância Sanitária, Secretária de Saúde de Sergipe e Polícia Federal.
Segundo Domingos, foram encontrados 45 trabalhadores rurais que teriam sido levados dos municípios de Boca da Mata, Taquarana, Atalaia, Capela e Pilar, para trabalhar no corte da cana, por um homem identificado como José Lima. 
“Mas, quando eles chegaram em Sergipe, tiveram que trabalhar no plantio de cana de uma usina da região. Eles foram alojados em casas de taipas no povoado de Miranda, sendo obrigados a dormir em colchões no chão. Quatro casas foram locadas para receber os alagoanos. Os poucos móveis que existiam eram improvisados de restos de mobília velha”, afirmou.
De acordo com o secretário da Fetag-AL, os alagoanos trabalhavam sem equipamentos de segurança individual (EPI) e tinham uma jornada de trabalho de nove horas, por dia. “Eles trabalhavam descalços, não tinham carteira assinada e os documentos estavam em poder da usina. A empresa afirmou não ter conhecimento da situação dos trabalhadores e de eles eram procedentes de Alagoas”, reforçou.
Cícero Domingos informou ainda quer parte do grupo de trabalhadores teria chegado em Sergipe no último dia 20. “Quando eles depararam com a situação, seis deles se recusaram a ficar e um ficou doente por conta da alimentação que era servida. Quem recebeu a denúncia foi o STTR de Capela/AL. Daí nós fomos acionados e entramos em contato com a Federação de Sergipe que comunicou o fato aos órgãos federais e estaduais do Estado resultando na operação conjunta”, esclareceu.
Após a ação, os trabalhadores foram encaminhados para um hotel na cidade de Capela/SE. “Eles permanecerão lá até que a rescisão de contrato com a usina seja concluída. Assim que todo o processo tenha sido encerrado, os trabalhadores voltarão as suas cidades de origem”, afirmou Domingos, acrescentando que os trabalhadores eram obrigados a pagar R$ 230 pela refeição, além de contribuir com as contas de água e energia das casas. “Teve gente que recebeu na quinzena apenas R$ 20”, completou.
O secretário da Fetag-AL informou ainda que o responsável pela ida do grupo para Sergipe foi convocado para prestar esclarecimentos na sede da Polícia Federal, em Aracaju, além de dois representantes da usina.